Parábola da semente

"Saiu o semeador a semear..." (Mc 4,3)



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sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

Mistagogia é Missão de catequista em nome da Igreja

 


Catequista é mistagogo!

Comecemos por entender o que significa a palavra.  A palavra ‘mistagogia' vem do grego e á composta de duas partes: ‘mist' + ‘agogia'.  ‘Mist' vem de ‘mistério' e ‘agogia' significa ‘conduzir', ‘guiar'.  Podemos definir a palavra como: a ação de guiar, conduzir para dentro do mistério. É muito interessante!

E o que diz a Igreja?

Na carta apostólica de Motu Proprio, Antiquum Ministerium , o Papa Francisco diz: “O catequista é simultaneamente testemunha da fé, mestre e mistagogo, acompanhante e pedagogo que instrui em nome da Igreja. Uma identidade que só mediante a oração, o estudo e a participação direta na vida da comunidade é que se pode desenvolver com coerência e responsabilidade” (AM, n.06)

A mistagogia, então,  como ato de iniciar e instruir alguém nos valores da fé, é própria de catequistas.

Pode-se dizer que mistagogia é o tempo em que a pessoa aprofunda  e transmite aquilo que já é realidade na sua vida cristã.

Isto acontece a partir do diálogo que Deus vai tecendo amorosamente com cada pessoa e com cada comunidade. É uma espécie de eco dessa relação com Deus.

Primeiro a iniciação cristã. Depois a mistagogia

A mistagogia normalmente vem depois da celebração dos sacramentos da iniciação cristã. A pessoa chega ao conhecimento completo dos mistérios através das explicações e da experiência dos sacramentos recebidos.

Assim, os fiéis são ‘iniciados' no mistério, não somente com palavras, mas através de ações simbólicas como os ritos. No sentido original, são os ritos das celebrações litúrgicas que têm esta função mistagógica de conduzir para dentro do mistério.

Conhecer Jesus é o melhor presente

A celebração, cada momento, cada palavra, cada gesto, cada movimento, revela o mistério e faz mergulhar nele: no mistério de Deus, no mistério da vida, no mistério da história e no próprio mistério.

Ser cristão não é um dever pesado, uma obrigação, mas um dom: "Deus Pai nos abençoou em Jesus Cristo”. O Documento de Aparecida diz: “A alegria do discípulo é antídoto frente a um mundo atemorizado pelo futuro e oprimido pela violência e pelo ódio... Conhecer Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber e dar; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria” (DAp. 29).

terça-feira, 23 de março de 2010

A Catequese no Documento de Aparecida - a pessoa do catequista

A V Conferência de Aparecida aconteceu de 13 a 31 de maio de 2007, em Aparecida, São Paulo.
Os números da V Conferência
21 Conferências Episcopais de toda a América Latina e Caribe enviaram anotações e relatórios. Também enviaram sua contribuição os Departamentos da CELAM, alguns Dicastérios romanos e outros organismos e eventos continentais
2.400 é o total de páginas recebidas com valiosa contribuição
188 é o número de páginas do Documento oficial da CELAM - Síntesis de los Aportes Recebidos para la V Conferencia General del Episcopado Latinoamericano.
266 é o total dos participantes, sendo:
162 delegados
81 convidados
8 observadores
15 peritos

SOBRE OS PAÍSES
800 Dioceses e Arquidioceses
1300 Cardeais, Arcebispos e Bispos
39.000 sacerdotes diocesanos
22.950 sacerdotes religiosos (ligados a congregações e ordens religiosas)
4.700 diáconos permanentes
40.650 religiosos (não ordenados) nas diversas Ordens e Congregações religiosas.
112.100 religiosas em todo o Continente
500.370.000 é o número de católicos
600.900.000 – população em toda a América Latina e Caribe.

Há um dinamismo apostólico subjacente a V Conferência. É uma tomada de consciência por parte da Igreja, de que a época da cristandade já passou, e a Igreja não pode se limitar a uma pastoral de manutenção do que já tem e de que, numa sociedade pluralista e secularizada, ela deve ter uma postura mais ativa na proclamação de sua mensagem.
Outra novidade, pela ênfase que recebeu, concerne ao laicato. Havia uma concordância de que a ação pastoral de leigos e leigas será decisiva para o futuro. Assim, boa parte do texto final é dedicada à identidade do discípulo de Jesus Cristo, à sua formação, à sua missão e à sua inserção na Igreja.

Perfil do discípulo de Jesus Cristo (catequista)
No processo de formação de discípulos missionários,  destacamos cinco aspectos fundamentais que aparecem de maneira diversa em cada etapa do caminho, mas que se complementam intimamente e se alimentam entre si:
a) O Encontro com Jesus Cristo: Aqueles que serão seus discípulos já o buscam (cf. Jo 1,38), mas é o Senhor quem os chama: “Segue-me” (Mc 1,14; Mt 9,9). É necessário descobrir o sentido mais profundo da busca, assim como é necessário propiciar o encontro com Cristo que dá origem à iniciação cristã. Esse encontro deve renovar-se constantemente pelo testemunho pessoal, pelo anúncio do querigma e pela ação missionária da comunidade. O querigma não é somente uma etapa, mas o fio condutor de um processo
que culmina na maturidade do discípulo de Jesus Cristo. Sem o querigma, os demais aspectos desse processo estão condenados à esterilidade, sem corações verdadeiramente convertidos ao Senhor. Só a partir do querigma acontece a possibilidade de uma iniciação cristã verdadeira. Por isso, a Igreja precisa tê-lo presente em todas as suas ações.
b) A Conversão: É a resposta inicial de quem escutou o Senhor com admiração, crê nEle pela ação do Espírito, decide ser seu amigo e ir após Ele, mudando sua forma de pensar e de viver, aceitando a cruz de Cristo, consciente de que morrer para o pecado é alcançar a vida. No Batismo e no sacramento da Reconciliação se atualiza para nós a redenção de Cristo.
c) O Discipulado: A pessoa amadurece constantemente no conhecimento, amor e seguimento de Jesus Mestre, se aprofunda no mistério de sua pessoa, de seu exemplo e de sua doutrina. Para esse passo são de fundamental importância a catequese permanente e a vida sacramental, que fortalecem a conversão inicial e permitem que os discípulos missionários possam perseverar na vida cristã e na missão em meio ao mundo que os desafia.
d) A Comunhão: Não pode existir vida cristã fora da comunidade: nas famílias, nas paróquias, nas comunidades de vida consagrada, nas comunidades de base, nas outras pequenas comunidades e movimentos. Como os primeiros cristãos, que se reuniam em comunidade, o discípulo participa na vida da Igreja e no encontro com os irmãos, vivendo o amor de Cristo na vida fraterna solidária. É também acompanhado e estimulado pela comunidade e por seus pastores para amadurecer na vida do Espírito.
e) A Missão: O discípulo, à medida que conhece e ama o seu Senhor, experimenta a necessidade de compartilhar com outros a sua alegria de ser enviado, de ir ao mundo para anunciar Jesus Cristo, morto e ressuscitado, e tornar realidade o amor e o serviço na pessoa dos mais necessitados, em uma palavra, a construir o Reino de Deus. A missão é inseparável do discipulado, o qual não deve ser entendido como etapa posterior à formação, ainda que esta seja realizada de diversas maneiras de acordo com a própria vocação e com o momento da maturidade humana e cristã em que se encontre a pessoa. ( DA 278).