Parábola da semente

"Saiu o semeador a semear..." (Mc 4,3)



sábado, 31 de outubro de 2026

A chave do céu

 Uma história para descobrirmos nossa chave do céu

Cada vez que passava em frente ao convento dos franciscanos de sua
pequena cidade, Lourenço sentia o coração bater mais forte. Gostava de ficar ouvindo do lado de fora o canto suave dos frades, vindo da igreja. Aquelas melodias angélicas, cheias de uma paz que não era deste mundo, pareciam provir do Céu. Outras vezes, ficava espiando os monges enquanto trabalhavam na horta e pensava: “Como eles são alegres! O irmão cozinheiro, carregando tomates, é mais feliz que os meus arrogantes companheiros se exibindo pela rua em seus ruidosos carros”.

Aos domingos, Lourenço assistia à pregação e depois meditava nas palavras do frade de feições austeras e voz possante: “Lembrai-vos sempre, irmãos, que mais importa guardar tesouros no Céu ao invés de multiplicá-los na Terra. O Senhor nos ensinou: ‘De que vale ao homem ganhar o mundo inteiro se vier a perder sua própria alma?’. Vede o exemplo de nosso pai São Francisco: soube ser pobre em espírito”.

Um dia, não resistiu e perguntou a um franciscano:

– O que devo fazer para morar aqui?

O bom religioso deu-lhe uma resposta muito simples:

– Para viver abrigado por estas santas paredes é preciso desejar acima de tudo o Reino dos Céus, abraçando a pobreza em espírito, como fez Jesus.

Uma semana depois, o jovem, carregando apenas uma malinha, entrava no convento para não mais sair. Pediu para ser irmão leigo, pois queria viver só para Deus, servindo os frades.

O mestre de noviços, que passou a acompanhá-lo, se encantava com o exemplo do Irmão Lourenço. Ninguém varria o chão ou lavava os pratos com maior entusiasmo; todas as suas ações pareciam uma prece.

Um dia, Irmão Lourenço notou o hábito de um frade em mau estado, e comentou:

– Vejo que sua manga está rasgada. Quer que a costure? Senão, quando o irmão for para as missões, as pessoas vão reparar. Somos pobres, mas dignos, e não fica bem usar um hábito rasgado… Se me permitir prestar-lhe tal serviço me estará concedendo uma graça, pois sou um pecador e tenho faltas a reparar.

– Mas tu sabes costurar?

– Não muito bem… Porém, minha mãe é costureira e com ela aprendi algumas lições do ofício.

– Está bem – concluiu o frade -, vamos ver como sai o serviço.

Surpreendendo a todos, Irmão Lourenço fez um trabalho exímio. A cada ponto com a agulha tinha rezado uma jaculatória pedindo que a Santíssima Virgem de Nazaré costurasse por ele. Quando acabava a linha, rezava uma Ave-Maria. Dessa forma, cerziu a manga inteira, deixando- a como se fosse nova.

A notícia se espalhou pelo convento. Não demorou muito em aparecer o irmão cozinheiro com uma roupa queimada, quase perdida por causa de um forno muito forte. Também o irmão porteiro veio mostrar um buraco no seu hábito que, embora escondido, já estava ficando grande. Até mesmo certo frade estrangeiro, hospedado ali por alguns dias, pediu ao irmão que desse um jeitinho em sua velha vestimenta. Os hábitos voltavam cosidos, limpos e perfumados.

O superior se alegrou com a descoberta. Admirado ao ver a despretensão daquele filho, logo notou a assiduidade de suas visitas ao Santíssimo Sacramento. “É por isso que tudo faz com tanto primor”, pensava.

Passados alguns meses, ele percebeu que os dotes de Irmão Lourenço podiam ir além da habilidade de fazer remendos.

– Quer tentar fazer um hábito inteiro? – perguntou-lhe.

– Se com isso eu puder dar glória a Deus, perfeitamente!

A experiência foi coroada de êxito. Das mãos “orantes” daquele religioso, começaram a sair maravilhas acima das expectativas. Nelas a tesoura tomava vida e corria pelo tecido marrom em traçados tão certeiros, que o melhor dos alfaiates não poderia superar. Os hábitos continuavam modestos, mas possuíam algo de especial: a marca do amor com que o irmão os fazia.

Passaram-se os anos. Por vezes, a quantidade de pedidos o levava a dormir muito pouco, a perder as horas de recreação, e ele sentia a tentação de julgar que assim também já era demais… Mas logo pensava que Deus o chamara para glorificá-Lo daquela forma, e esse motivo o levava a dedicar-se por inteiro, redobrando as orações.

Irmão Lourenço tornou-se um homem maduro e, com o tempo, um ancião. Seus cabelos ficaram prateados, mas nem por isso deixou de atender os pedidos de remendos e costuras.

A comunidade o estimava e admirava. Muitos frades famosos, pregadores em santuários e professores em universidades, gostavam de estar com ele, formando rodas animadas de conversas sobre o Seráfico São Francisco, Santa Clara e outros heróis da Ordem. Irmão Lourenço atraía a todos, falando só sobre coisas do Céu. E era para lá que caminhava…

O implacável peso dos anos trouxe- lhe uma febre incurável, que começou a consumi-lo. Pressentindo a partida desta vida, ele pediu os Sacramentos e passou a falar cada vez menos. Rezava muito e pensava no encontro com Deus.

Numa madrugada gélida de inverno, Frei Lourenço parecia não resistir mais. O sino do convento chamou a comunidade para acompanhar o querido irmão, em seus últimos momentos. Ajoelhados, rezavam a oração dos agonizantes. De repente, um fio de voz quase imperceptível foi ouvido. Era Irmão Lourenço que pedia:

– Tragam-me a chave… a chave do Céu…

Os frades não entenderam. Qual seria essa “chave do Céu”? Um deles saiu correndo rumo à biblioteca e voltou com um livro chamado A chave do Céu. Colocaram-no diante do moribundo, mas ele não se interessou. Apenas repetiu:

– Eu quero… a chave… a chave do Céu…

O superior mandou que trouxessem uma relíquia de São Francisco, à qual o enfermo tinha muita devoção. Mas ele seguia com seu raro pedido…

Então, a fisionomia de um irmão se iluminou. Cruzou rapidamente os corredores e voltou com a agulha de Irmão Lourenço. Ao vê-la, este esboçou um sorriso e disse:

– Sim, esta é minha chave do Céu! – e expirou.

* * *

Sem ser grande aos olhos do mundo, nem receber recompensa por seus serviços, Irmão Lourenço se santificara com uma agulha na mão, trabalhando por amor a Deus. Para cada um a Providência tem preparada uma “chave” que lhe abrirá o Céu. Trata-se de saber cumprir sua vontade e seus desígnios. “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus” (Mt 5, 3).

 E a sua chave do céu, qual é?






sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Nossa fé - O juízo após a morte, como nos fala o Novo Testamento

 




Em que consiste o juízo particular

A morte põe termo à vida do homem, enquanto tempo aberto à aceitação ou à rejeição da graça divina, manifestada em Jesus Cristo. 

O Novo Testamento fala do juízo, principalmente na perspectiva do encontro final com Cristo na sua segunda vinda. Mas também afirma, reiteradamente, a retribuição imediata depois da morte de cada qual, em função das suas obras e da sua fé.

 A parábola do pobre Lázaro (Lc 16,19-31) e a palavra de Cristo crucificado ao bom ladrão (Ainda hoje estarás comigo no paraíso" - Lc 23,43), assim como outros textos do Novo Testamento, falam dum destino final da pessoa. (CIC 1021) 

Ao morrer, cada pessoa recebe na sua alma imortal a retribuição eterna, num juízo particular que põe a sua vida em referência a Cristo, quer através duma purificação, quer para entrar imediatamente na felicidade do céu, quer para se condenar imediatamente para sempre. (CIC 1022)


«No entardecer da vida, sereis julgados pelo amor» (São João da Cruz).      

Esta célebre frase do místico espanhol São João da Cruz (1542–1591) resume a visão cristã de que, no fim de nossa existência, não seremos medidos por acúmulos materiais, poder ou títulos, mas pelo amor que dedicamos a Deus e ao próximo.

Nossa fé - O que se entende por «céu»?

 


Por «céu» entende-se o estado de felicidade suprema e definitiva. Os que morrem na graça de Deus e não precisam de ulterior purificação são reunidos à volta de Jesus e de Maria, dos anjos e dos santos. Formam assim a Igreja do céu, onde vêem Deus «face a face» (1 Cor 13,12). O verão «tal como Ele é» (1 Jo 3,2). Vivem em comunhão de amor com a Santíssima Trindade e intercedem por nós.  

O céu

Diz o Catecismo da Igreja Católica:

«Com a nossa autoridade apostólica, definimos que, por geral disposição divina, as almas de todos os santos mortos antes da paixão de Cristo [...] e as de todos os outros fiéis que morreram depois de terem recebido o santo Batismo de Cristo e nas quais nada havia a purificar no momento da morte, ou ainda daqueles que, se no momento da morte houve ou ainda há qualquer coisa a purificar, acabaram por o fazer [...] mesmo antes de ressuscitarem em seus corpos e do Juízo universal - e isto depois da Ascensão ao céu do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo -, estiveram, estão e estarão no céu, associadas ao Reino dos céus e no paraíso celeste, com Cristo, na companhia dos santos anjos. E depois da paixão e morte de nosso Senhor Jesus Cristo, essas almas viram e vêem a essência divina com uma visão intuitiva e face a face, sem a mediação de qualquer criatura» (CIC 1023).

Esta vida perfeita com a Santíssima Trindade, esta comunhão de vida e de amor com Ela, com a Virgem Maria, com os anjos e todos os bem-aventurados, chama-se «céu». O céu é o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva.(CIC 1024).

Viver no céu é «estar com Cristo» (Ap 22,4). Os eleitos vivem «n'Ele»; mas n'Ele conservam, ou melhor, encontram a sua verdadeira identidade, o seu nome próprio: «Porque a vida consiste em estar com Cristo, onde está Cristo, aí está a vida, aí está o Reino» 

 Jo 14, 3: "Quando eu for e preparar lugar, voltarei e os levarei comigo, para que vocês estejam onde eu estiver." 

 1, 23: "Estou pressionado dos dois lados: desejo partir e estar com Cristo, o que é muito melhor; contudo, é mais necessário, por causa de vocês, que eu permaneça vivo";

1 Ts 4, 17: "depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles para encontrar o Senhor e assim estaremos sempre com o Senhor. (CIC 1025).

////Canção para ouvir e cantar: 

Aqui também é céu - Pe. Zezinho,scj - Canarinhos Liceanos

Das coisas que aprendi.

Uma delas é que Deus está aqui.

Das coisas que eu já sei.

Uma delas é que Cristo é nosso rei.


Que o céu não fica lá em cima.

Que aqui também é céu.

Depende do que a gente faz.

Com a paz que o nosso rei nos deu (2x)

(Repete 1ª estrofe)

Que a vida é muito bonita se a gente sabe amar.

Se a gente partilhar o amor.

Que Jesus veio nos ensinar. (2x)

Nossa fé - Creio na Vida Eterna





 Rezamos na oração do Credo, "creio na vida eterna". O que significa?

O Catecismo da Igreja Católica descreve como o cristão vê a morte: “O cristão, que une a sua própria morte à de Jesus, encara a morte como chegada até junto d'Ele, como entrada na vida eterna.” (CIC 1020)

A Igreja, depois de ter pronunciado sobre o cristão enfermo as palavras de perdão da absolvição de Cristo e de, pela última vez, o ter marcado com uma unção e lhe ter dado Cristo, na Eucaristia, como alimento para a viagem (viático),  fala-lhe com estas doces e confiantes palavras:

«Parte deste mundo, alma cristã, em nome de Deus Pai onipotente, que te criou, em nome de Jesus Cristo, Filho de Deus vivo, que por ti sofreu, em nome do Espírito Santo, que sobre ti desceu; chegues hoje ao lugar da paz e a tua morada seja no céu, junto de Deus, na companhia da Virgem Maria. Mãe de Deus, de São José e de todos os Anjos e Santos de Deus [...].

Confio-te ao Criador para que voltes  Àquele que te formou do pó da terra.

Venham ao encontro de ti, que estás a partir desta vida, Santa Maria, os Anjos e todos os Santos [...].

Vejas o teu Redentor   face a face e gozes da contemplação de Deus pelos séculos dos séculos» (Cf. 1 Cor 15, 42).

Assim, o Catecismo da Igreja Católica descreve a vida eterna de uma pessoa cristã.

Esta é a nossa fé como professamos no CREIO.



                                   Oração do CREDO (CREIO)

Creio em Deus, Pai todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra.

E em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, 

que foi concebido pelo poder do Espírito Santo; 

nasceu da Virgem Maria; 

padeceu sob Pôncio Pilatos, 

foi crucificado, morto e sepultado; 

desceu à mansão dos mortos; 

ressuscitou ao terceiro dia; 

subiu aos Céus; 

está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, 

de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos.

Creio no Espírito Santo; 

na santa Igreja Católica; 

na comunhão dos Santos; 

na remissão dos pecados; 

na ressurreição da carne; 

e na vida eterna. Amém.


quarta-feira, 4 de março de 2026

VII CONGRESSO ONLINE DE CATEQUESE PAULINAS - Catequese inclusiva


1º Dia:
A inclusão na Bíblia
Como contribuir para a verdadeira INCLUSÃO

https://www.youtube.com/watch?v=0ItOufCW6TU



​​Deficiência intelectual e síndromes infantis LINK:
https://www.paulinas.com.br/produto/deficiencia-intelectual-e-sindromes-infantis-4608


quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Catequistas Brasil 2026

O evento acontece, de 29 de janeiro (quinta) a 01 de fevereiro (domingo) de 2026, em  Aparecida (SP), no Centro de Eventos Pe. Vitor Coelho. 

Idealizado por Kiara Castro, diretora comercial da Promocat, e apresentado pelo diácono Leo Rabello, o Catequistas Brasil deste ano tem o tema “A fé que nos move ”. E o lema é inspirado na 2ª Carta de Paulo aos Coríntios “Caminhamos pela fé e não pela visão” (2Cor 5,7). 

São esperadas mais de 3 mil pessoas, com mais de 100 palestras e shows programados.

As Irmãs Paulinas estão presentes como palestrantes  e com exposição. 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Congresso On-line de Catequese Paulinas - 7ª edição

 


Com o tema “Catequese Inclusiva: Da Acolhida na Comunidade à Vivência da Fé”, a VII edição do Congresso On-line de Catequese Paulinas, que ocorrerá de 4 a 6 de março de 2026, propõe uma reflexão profunda e prática sobre o chamado cristão à inclusão. Inspirado pelo mandamento de São Paulo – “Acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo vos acolheu” (Rm 15,7) –, o evento visa transformar a catequese em um espaço onde ninguém fique à margem do anúncio do amor de Deus.

A urgência desta missão é fundamentada nos documentos da Igreja. O Diretório para a Catequese (2020) afirma que a preocupação com as pessoas com deficiência “nasce da ação de Deus” e é central para a evangelização (n. 269). Complementando este ensino, o Papa Francisco pede uma “dupla atenção”: crer na educabilidade para a fé de todos e reconhecer cada pessoa como sujeito ativo na comunidade. No Brasil, onde milhões de pessoas com deficiência têm seu direito à vida sacramental e comunitária reafirmado pelo Diretório Nacional de Catequese, essa discussão é ainda mais crucial.

Objetivos do curso - Para capacitar agentes pastorais e comunidades nesta jornada, a Paulinas Cursos oferece este congresso como um espaço privilegiado de formação, partilha e diálogo. O evento, realizado ao longo de três noites, parte do princípio de que é preciso assumir a pedagogia de Jesus, que acolheu a todos sem exceção. O objetivo é formar catequistas preparados e comunidades conscientes de seu “ser inclusivo”, garantindo que a pessoa com deficiência seja verdadeiramente chamada “para o meio”.




Programação e palestrantes - A programação, rica e diversificada, abordará o tema desde suas bases bíblicas até as aplicações práticas mais atuais. 

Na primeira noite (04/03), Cássio Murilo Dias da Silva explorará as raízes da “A inclusão na Bíblia”, enquanto 

o Prof. Wilson Candido Braga trará a reflexão prática sobre “Como posso contribuir para a verdadeira inclusão?”.

O segundo dia (05/03) aprofundará os fundamentos e a atitude essencial para a inclusão. Ir. Maria Eliene Pereira de Oliveira, fsp, apresentará “A catequese Inclusiva nos documentos da Igreja”, e 

o Prof. Wilson Candido Braga retornará para um tema fundamental: “Acessibilidade atitudinal: O acolhimento faz a diferença”, discutindo as barreiras internas que precisam ser superadas.

A noite de encerramento (06/03) mergulhará em aspectos sensoriais e neurodiversos, essenciais para uma ação pastoral abrangente. 

Ir. Cristiane Rodrigues de Melo, fsp abordará “A catequese que toca os sentidos”, propondo metodologias multissensoriais. Finalmente, 

o Prof. Wilson Candido Braga encerrará o congresso com o vital tema “NEURODIVERSIDADE e NEURODIVERGÊNCIA - Conhecer para incluir”, ampliando o olhar para as diferentes formas de perceber e interagir com o mundo.

Como participar - Desta forma, o congresso se consolida como uma ferramenta imprescindível para quem deseja construir uma Igreja samaritana, onde a catequese seja, de fato, um caminho de fé acessível e vivo para todos, refletindo o abraço incondicional de Cristo.

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As inscrições estão abertas e podem ser feitas clicando aqui!