Parábola da semente

"Saiu o semeador a semear..." (Mc 4,3)



quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Curso: Novas linguagens na Catequese

Realizou-se, no dia 12 de fevereiro, no SEPAC, um curso para catequistas, sobre Novas Linguagens. Participaram mais de sessenta pessoas de diversas cidades e paróquias.
Irmã Patrícia Silva, fsp, assessorou o encontro oferecendo referências para uma linguagem atualizada no sentido de conteúdos e de tecnologias. Fez um pequeno treinamento de Leitura Orante, a partir do Evangelho do Dia.
Os grupos aprofundaram temas como: O Rosto de Cristo no documento de Aparecida, a exortação apostólica Verbum Domini e as Novas linguagens.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Leitura Orante: Discípulo e missionário


Saudação
- A nós, a paz de Deus, nosso Pai,
Canto:Por tudo dai graças, por tudo dai graças
Dai graças por tudo, dai graças.
(1 Ts 5,18)
- A graça e a alegria de Nosso Senhor Jesus Cristo,
no amor e na comunhão do Espírito Santo estejam conosco.
- Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!
Preparamo-nos para a Leitura Orante pensando, como São Paulo, discípulo e missionário de Jesus,
 nas muitas pessoas que, no mundo inteiro
 - Europa, Brasil, Américas, África, Índia, Japão, e de tantos outros lugares,
nos reunimos na rede da internet para rezar, juntos, a Palavra.
Pedimos luzes ao Espírito Santo:
Espírito de verdade,
a ti consagramos a mente, os pensamentos: ilumina-nos.
Que conheçamos Jesus Mestre
 compreendamos e vivamos o seu Evangelho.
1. Leitura (Verdade)
O que diz o texto do dia?
Acolhemos a Palavra, cantando o refrão :
"A Palavra está perto de ti, em tua boca, em teu coração"(Rm 10,8)
Lemos atentamente, na Bíblia,  o texto: Mc 16,15-18, e observamos as palavras de Jesus.
Então ele disse:
- Vão pelo mundo inteiro e anunciem o evangelho a todas as pessoas. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado. Aos que crerem será dado o poder de fazer estes milagres: expulsar demônios pelo poder do meu nome e falar novas línguas; se pegarem em cobras ou beberem algum veneno, não sofrerão nenhum mal; e, quando puserem as mãos sobre os doentes, estes ficarão curados.
Este texto nos faz pensar que todo cristão, todo batizado, é chamado a um encontro com Jesus, a uma grande fé, à conversão, ao discipulado, à comunhão e à missão. Jesus diz que quem crer terá o poder de "fazer milagres". Jesus envia os discípulos a uma missão universal. Para que? Não vão ensinar, pregar para serem mestres, mas para fazerem discípulos de Jesus. Receberão o poder de libertar as pessoas do mal, de restaurar a dignidade,  mas "poder do meu nome", diz Jesus.


2. Meditação (Caminho)
O que o texto diz para mim, hoje?
O texto me diz que também eu sou uma pessoa cristã, convocada para ser discípulo/a e missionário/a de Jesus.
A e o encontro com Jesus Cristo, são o fio condutor de um processo que culmina na minha maturidade como discípulo/a e deve renovar-se constantemente pelo meu testemunho pessoal, e pela missão: “Vão pelo mundo inteiro”.
• A conversão é a minha resposta inicial no seguimento de Jesus Cristo;
• O discipulado, como amadurecimento no conhecimento, na fé e no seguimento de Jesus Mestre.
• A comunhão, pois não pode haver vida cristã fora da comunidade: na minha família, na paróquia, no meu grupo.
• A missão, que nasce do desejo de partilhar minha experiência de Deus com os outros.

Conta-se que cinco sapinhos estavam à beira da lagoa. Três decidiram saltar na água. Pergunta-se: quantos ficaram de fora? Alguém, pela lógica imediata, diz: "Ficaram dois". Outra pessoa, um pouco mais reflexiva, disse que "nenhum ficou", pois os dois se assustaram e desapareceram.  Na verdade, ficaram todos do lado de fora, pois três apenas decidiram. Não concretizaram a decisão, não se comprometeram realmente.
. Não basta o desejo de partilhar. É preciso partilhar. Comprometer-se!

3.Oração (Vida)
O que o texto me leva a dizer a Deus?
Faço orações espontâneas e depois rezo:
Ó glorioso São Paulo,
que de perseguidor dos cristãos vos tornastes grande apóstolo,
 e que para anunciar o Cristo Salvador ao mundo inteiro,
 sofrestes prisões, flagelações, apedrejamentos,
naufrágios e perseguições de toda espécie, e,
por fim, derramastes o vosso sangue,
alcançai-nos a graça de aceitar as doenças,
sofrimentos e adversidades desta vida.
Que nada nos desanime no serviço de Deus,
mas sirva para crescermos na fé,
na esperança e no amor. Amém. 

4.Contemplação (Vida e Missão)
Qual meu novo olhar a partir da Palavra? Meu novo olhar será iluminado pelo coração que se compromete com a missão de evangelizar a todos.
Com os bispos da América Latina e Caribe, sinto que posso procurar:
“a) Conhecer e valorizar esta nova cultura da comunicação.
b) Promover a formação profissional na cultura da comunicação de todos os agentes e cristãos.
c) Formar comunicadores profissionais competentes e comprometidos com os valores humanos e cristãos na transformação evangélica da sociedade, com particular atenção aos proprietários, diretores, programadores e locutores.
d) Apoiar e otimizar, por parte da Igreja, a criação de meios de comunicação social próprios, tanto nos setores televisivos e de rádio, como nos sites de Internet e nos meios impressos;
e) Estar presente nos meios de comunicação de massa: imprensa, rádio e TV, cinema digital, sites de Internet, fóruns e tantos outros sistemas para introduzir neles o mistério de Cristo.
f) Educar na formação crítica quanto ao uso dos meios de comunicação a partir da primeira idade;
g) Animar as iniciativas existentes ou a serem criadas neste campo, com espírito de comunhão.
h) Acompanhar leis protejam as crianças, jovens e as pessoas mais vulneráveis para que a comunicação não transgrida os valores e, ao contrário, criem critérios válidos de discernimento.
i) Ajudar tanto as pastorais de comunicação como os meios de comunicação de inspiração católica a encontrar seu lugar na missão evangelizadora da Igreja. “
(DAp 486).

Refrão: Pela graça de Deus sou o que sou,
Sou o que sou pela graça de Deus (1Cor 15,10)
Bênção
 - Deus nos abençoe e nos guarde.
- Amém.
- Ele nos mostre a sua face e se compadeça de nós.
- Amém.
-Volte para nós o seu olhar e nos dê a sua paz.
- Amém.
- Abençoe-nos Deus misericordioso, Pai e Filho e Espírito Santo.
- Amém.
Refrão: Eu sei, eu sei, eu sei em quem acreditei
Eu sei, eu sei em quem acreditei. (2Tm 1,12)

Obs.: Se você quiser receber em seu endereço eletrônico o Evangelho do Dia com a Leitura Orante, acesse o seguinte endereço e preencha o formulário de cadastro.
http://www.paulinas.org.br/loja/CentralUsuarioLogin.Aspx

Dinâmica: O Corpo

Objetivo: despertar a conscientização a respeito de nossa missão como Igreja e na vida em comunidade.

Material: o desenho de um corpo humano, feito em papel ou papelão, cortado em partes: pernas, pés, tronco, braços, mãos (se necessário, cortar os membros em vários pedaços, conforme o número de participantes da dinâmica).

Desenvolvimento:
Primeiro passo: a montagem
• Distribuir as partes do corpo entre os presentes.
• Proclamar com calma o texto de 1 Cor 12,12-27.
• Pedir às pessoas que, espontaneamente, montem o corpo humano, mas sem a cabeça.

Segundo passo: a partilha
.  Pedir a todos que falem:
• Que importância tem cada órgão em mim e na Igreja?
• O que isto tem a ver com a nossa comunidade, o grupo, a Igreja?
• Como e onde nós precisamos um do outro?

Terceiro passo: a reflexão
Pedir que reflitam:
• O que falta no corpo apresentado? Onde está o rosto?
• Que rosto tem a nossa Igreja e nossa comunidade?
• Que rosto tema nossa juventude, as nossas crianças, nossas famílias e os idosos?
• Conhecemos o rosto do Cristo Ressuscitado?
• Onde esta o rosto de Jesus, que nos chama para construir urna vida mais bonita, digna e justa?

Fonte: Formação bíblica para Catequistas com dinâmicas e celebrações, Pe. Leomar Brustolin, Paulinas.

A COMUNICAÇÃO SOCIAL A SERVIÇO DA CATEQUESE

Verdade, anúncio e autenticidade de vida, na era digital
5 de Junho de 2011 - 45o. Dia Mundial das Comunicações (Ver em http://bit.ly/ee40VN )

Do Diretório Nacional de Catequese (Documentos CNBB 84)

168. O mundo das comunicações está unificando a humanidade. A globalização, além de econômica, é também fruto da aproximação de acontecimentos e pessoas distantes, devido ao desenvolvimento da comunicação. Surge uma variedade, cada vez maior, de linguagens e símbolos, métodos dinâmicos para a comunicação de todo tipo de mensagem. Nestes últimos tempos, a comunicação social desenvolveu-se com poderosos recursos tecnológicos. A evangelização não pode prescindir, hoje, dos meios de comunicação e da cultura que deles está nascendo. A cultura da mídia, com efeito, mostra a existência de linguagens diferentes da linguagem lógico-científica. Impulsiona outras relações entre memória e imediatez, característica típica de nosso tempo, e é um lugar de debate ético que procede mais por dilemas do que por definições rígidas. A cultura midiática está produzindo fenômenos importantes na vida dos interlocutores da catequese. A mídia, para muitos, torna-se o principal instrumento de informação e de formação, guia e inspiração dos comportamentos individuais. Diante disso, há novas exigências para a catequese.


169. A igreja reconhece que os meios de comunicação social podem ser fatores de comunhão e contribuem para a integração entre as pessoas (cf. AS 137-140). Entretanto, muitas vezes, são veículos de propaganda do materialismo e do consumismo reinantes, gerando falsas expectativas e o desejo competitivo.
O bom uso dos meios de comunicação social requer dos agentes de catequese um sério esforço de conhecimento, competência e de atualização qualificada.
É bom lembrar que “não é suficiente usá-¬los para difundir a mensagem cristã e o Magistério da igreja, mas é necessário integrar a mensagem nessa nova cultura, criada pelas modernas comunicações, com novas linguagens, novas técnicas, novas atitudes psicológicas” (cf. RMi 37; cf. DGC 161).

170. A catequese tem a missão também de se preocupar com os operadores e os usuários da comunicação.
Comunicadores e receptores, abertos aos valores cristãos, serão capazes de colocar a comunicação a serviço do bem comum e de exercer uma função crítica em relação ao que é comunicado e ao que acontece na sociedade. É essencial habilitar os catequistas para a comunicação da mensagem do
Evangelho, através da mídia, principalmente os mais jovens e nascidos nessa cultura midiática, cuja linguagem mais facilmente entendem. recorde-se que “no uso e na recepção dos instrumentos de comunicação, torna-se urgente tanto uma ação educativa em vista do senso crítico, animada pela paixão à verdade, quanto uma ação de defesa da liberdade, do respeito pela dignidade pessoal, da elevação da autêntica cultura dos povos” (ChL 44).

171. Com relação à comunicação e catequese, aqui se recordam três orientações:
a) capacitar, nos diversos níveis, os catequistas como comunicadores: sejam pessoas conhecedoras dos processos da comunicação humana e estejam habilitados a integrar recursos como músicas, vídeos, teatro e outras linguagens para expressar a fé;
b) aproximar a catequese dos meios massivos de comunicação, para o desenvolvimento de projetos de catequese a distância, com o adequado uso de recursos e metodologias apropriadas;
c) incluir, nos programas de catequese, a análise das mensagens produzidas pelos grandes meios, promovendo a leitura desses dados à luz da mensagem evangélica.

BLOGS SOBRE CATEQUESE
  1. Catequese infantil: http://pequenogigante.blogspot.com/
  2. http://blog.cancaonova.com/cantinho/
  3. http://www.catequesecaminhando.blogspot.com/
  4. http://catequesemacao.blogspot.com/
  5. http://catequizareeducar-analu.blogspot.com/
  6. http://www.marcelagregorio24.blogspot.com/
  7. Para catequistas: http://mafaoli.blogs.sapo.pt/
  8. http://sementinhakids.wordpress.com/recursos-2/desenhos-biblicos-4/
  9. http://blog.cancaonova.com/cantinho/2009/03/27/desenhos-da-semana-santa-para-colorir/
  10. http://www.universovozes.com.br/editoravozes/web/view/BlogDaCatequese.aspx?catPostID=12
  11. http://comunicacatequese.blogspot.com/

SITES SOBRE CATEQUESE
1. Sala de Catequese -  
  1. http://www.catequisar.com.br/

SITES SOBRE LITURGIA
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Texto para reflexão: Buscar novas linguagens

Em grupos, discutir o texto "Buscar novas linguagens" , da revista Família Cristã, do mês de agosto 2010, de autoria de Maria Eugenia LLoris. fmvd., assessora do Setor Universidades da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

A Igreja e suas pastorais precisam utilizar melhor as novas linguagens dos meios de comunicação, sobretudo a internet, para dar maior alcance à sua mensagem.

Nossa dificuldade maior é que passamos despercebidos. Frente à grande quantidade de ofertas na sociedade, nossas propostas eclesiásticas ficam em segundo plano. E sentimos de alguma maneira que "nossa pastoral" não tem nem a força, nem a visibilidade, nem a articulação de anos atrás ... O que está acontecendo?

Levando em consideração as profundas transformações da sociedade e os avanços tecnológicos em todos os setores, experimentamos o próprio "despreparo" do momento presente. Não basta a profissionalização e a competência técnica, mas também a compreensão da evolução que a sociedade, o mundo e as nossas pastorais estão sofrendo. "Vocês não podem compreender, porque é o Espírito quem nos levará até a verdade plena" - lembra-nos o Evangelho.

Não compreendemos porque nossa verdade é parcial, fragmentada, setorizada. Assim como nosso conhecimento é parcial, também a nossa Igreja está fragmentada e setorizada em pastorais que invadem os nossos regionais de atividades, ofertas e informações. E como os que navegam pela internet, perguntamos:

Para qual pastoral clicamos? A qual dar prioridade? E todas essas ofertas aonde nos conduzem? Como viver uma Igreja de comunhão nesta multiplicidade de ofertas? .

A cultura da tecnologia e da comunicação atual é muito mais do que "usar" os meios de comunicação ou mandar algum e-mail aos nossos coordenadores. Essa cultura perpassa toda a nossa vida, e também nossa Igreja. A Igreja esforçou-se para compreender as novas mídias e progrediu na exigência de expressar-se com maior clareza. E esse esforço continua, mas, talvez, ainda não reflitamos nem compreendamos uma realidade do século 21: a cultura midiática é a cultura atual, sendo a comunicação o elemento articulador das mudanças em curso na sociedade. Se a comunicação é esse elemento essencial, que uso e reflexão fazemos nas nossas pastorais?

Consumidores da tela - Há ofertas na internet de retiros on-line, acompanhamento espiritual e até novenas nas quais você pode acender uma vela por uma semana. Tais ofertas para alguns segmentos da nossa Igreja causam estranheza e dúvida. Será esse o caminho da "nova evangelização"? É esse o uso que necessitamos dar aos meios de comunicação?

O papa Bento XVI afirmou que "não é suficiente usá-los (os meios) para difundir a mensagem cristã e o Magistério da Igreja, mas é necessário integrar a mensagem nessa 'nova cultura', criada pelas novas
as linguagens comunicações". A pergunta é: Integramos nossa mensagem nessas novas culturas, nessa nova linguagem?

A comunicação se apresenta como elemento articulador da sociedade e nós continuamos querendo fazer encontros presenciais, articular os regionais. O campo da comunicação se apresenta desarticulado, conflituoso e, por vezes, confuso em relação à velocidade e à complexidade com que se misturam mercado, tecnologia e necessidade do ser humano se relacionar, e isso é o que todos nós sentimos nas nossas pastorais.

Nosso trabalho é uma "janela", mas que se abre e disponibiliza notícias, avisos, informações ... O desafio é como fazer para que nosso site seja visitado e crie interesse. Talvez seja necessário compreender que as fronteiras se quebraram e é o internauta quem decide a fonte da qual bebe a sua intelectualidade e ética. Mas também é verdade que se criou um novo modo de se relacionar. A tecnologia, a internet, os e-mails, o orkut formam parte da cotidianidade das pessoas. Estudos afirmam que os jovens passam até oito horas no messenger, isso sem contar o uso no horário de trabalho. Nossa vida transcorre na frente de uma tela que forma nosso pensar e cria uma rede de comunicações.

Os consumidores da tela são incentivados a procurar informações e a fazer conexões em meio a conteúdos midiáticos dispersos. Trata-se de uma "cultura participativa", na qual os internautas interagem de acordo com um conjunto de regras que nenhum de nós entende por completo. E o que nós propomos está em direção contrária a essa cultura vigente, como encontros nos quais os assuntos são definidos e as formas de participação são presenciais, com palestras ou reflexões prontas.

Tema de interesse - Atualmente o jovem quer elaborar o seu próprio pensamento, investigar. Por que não chamar jovens consumidores de internet, técnicos e pastoralistas e elaborar um novo projeto para a nossa pastoral? Por que não criar espaços novos e não definidos de diálogo, nos quais as ideias possam fermentar no "escuro" do não determinado, do não conhecido, do tempo novo do amanhecer que ainda está por vir? É tempo de fermentar nossa pastoral nas adegas do pensamento e da realidade confusa atual, e não mostrar apressadamente O que ainda não é nem foi elaborado. Estamos em processo ...

O mundo está num dique, pelo que se encontram informações e também excessos. Algo importante nesse processo é a transformação comunicacional: "Nas múltiplas formas de conhecer, ser e estar - portanto, nos usos das novas tecnologias -, a mente, a afetividade e a percepção são agora estimuladas não apenas pela razão ou imaginação, mas também pelas sensações, imagens em movimento, sonoridades, efeitos especiais ( ... ), encenação de outras lógicas possíveis de construir realidades e se construírem sujeitos" -do livro Culturas juvenis no século XXI, organizado por Silvia Borelli e João Freire Filho, Editora Educ.

Nossos encontros, nossa maneira de apresentar, não atingiu a velocidade nem os outros âmbitos da imaginação, a sensação e a afetividade. Assistindo ao filme Anjos e demônios, fiquei impressionada com a sala cheia de jovens. E o que chamou a minha atenção foi a linguagem cinematográfica: filme rápido, de intriga, com simbologia e violência. E o assunto central era a religião, que é tema de interesse. Somos tema de interesse com linguagem e formas passadas!

Conclusões dos grupos.

O rosto do Cristo


Delineamos os traços do Cristo, do qual formamos o Corpo, a partir das propostas da Conferência de Aparecida (13-31 de maio de 2007).

Assim também nos ocorre olhar a realidade de nossos povos e de nossa Igreja, com seus valores, suas limitações, suas angústias e esperanças. Enquanto sofremos e nos alegramos, permanecemos no amor de Cristo, vendo nosso mundo e procurando discernir seus caminhos com a alegre esperança e a indizível gratidão de crer em Jesus Cristo. Ele é o Filho de Deus verdadeiro, o único Salvador da humanidade. A importância única e insubstituível de Cristo para nós, para a humanidade, consiste em que Cristo é o caminho, a Verdade e a Vida. “Se não conhecemos a Deus em Cristo e com Cristo, toda a realidade se torna um enigma indecifrável; não há caminho e, ao não haver caminho, não há vida nem verdade”. No clima cultural relativista que nos circunda, onde é aceita só uma religião natural, faz-se sempre mais importante e urgente estabelecer e fazer amadurecer em todo o corpo eclesial a certeza de que Cristo, o Deus de rosto humano, é nosso verdadeiro e único salvador. (DAp 22)

No rosto de Jesus Cristo, morto e ressuscitado, maltratado por nossos pecados e glorificado pelo Pai, nesse rosto doente e glorioso, com o olhar da fé podemos ver o rosto humilhado de tantos homens e mulheres de nossos povos e, ao mesmo tempo, sua vocação à liberdade dos filhos de Deus, à plena realização de sua dignidade pessoal e à fraternidade entre todos. A Igreja está a serviço de todos os seres humanos, filhos e filhas de Deus. (DAp 31)

Desejamos que a alegria que recebemos no encontro com Jesus Cristo, a quem reconhecemos como o Filho de Deus encarnado e redentor, chegue a todos os homens e mulheres feridos pelas adversidades; desejamos que a alegria da boa nova do Reino de Deus, de Jesus Cristo vencedor do pecado e da morte, chegue a todos quantos jazem à beira do caminho, pedindo esmola e compaixão (cf. Lc 10,29-37; 18,25-43). A alegria do discípulo é antídoto frente a um mundo atemorizado pelo futuro e agoniado pela violência e pelo ódio. A alegria do discípulo não é um sentimento de bem-estar egoísta, mas uma certeza que brota da fé, que serena o coração e capacita para anunciar a boa nova do amor de Deus. Conhecer a Jesus é o melhor presente que qualquer pessoa pode receber; tê-lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e fazê-lo conhecido com nossa palavra e obras é nossa alegria. (DAP 32).

Isto (a globalização)deveria nos levar a contemplar os rostos daqueles que sofrem. Entre eles estão as comunidades indígenas e afro-americanas que, em muitas ocasiões, não são tratadas com dignidade e igualdade de condições; muitas mulheres são excluídas, em razão de seu sexo, raça ou situação sócio-econômica; jovens que recebem uma educação de baixa qualidade e não têm oportunidades de progredir em seus estudos nem de entrar no mercado de trabalho para se desenvolver e constituir uma família; muitos pobres, desempregados, migrantes, deslocados, agricultores sem terra, aqueles que procuram sobreviver na economia informal; meninos e meninas submetidos à prostituição infantil ligada muitas vezes ao turismo sexual; também as crianças vítimas do aborto. Milhões de pessoas e famílias vivem na miséria e inclusive passam fome. Preocupam-nos também os dependentes das drogas, as pessoas com limitações físicas, os portadores e vítimas de enfermidades graves como a malária, a tuberculose e HIV – AIDS, que sofrem a solidão e se vêem excluídos da convivência familiar e social. Não nos esqueçamos também dos seqüestrados e aqueles que são vítimas da violência, do terrorismo, de conflitos armados e da insegurança na cidade. Também os anciãos que, além de se sentirem excluídos do sistema produtivo, vêem-se muitas vezes recusados por sua família como pessoas incômodas e inúteis. Sentimos as dores, enfim, da situação desumana em que vive a grande maioria dos presos, que também necessitam de nossa presença solidária e de nossa ajuda fraterna. Uma globalização sem solidariedade afeta negativamente os setores mais pobres. Já não se trata simplesmente do fenômeno da exploração e opressão, mas de algo novo: da exclusão social. Com ela o pertencimento à sociedade na qual se vive fica afetado, pois já não se está abaixo, na periferia ou sem poder, mas se está de fora. Os excluídos não são somente “explorados”, mas “supérfluos” e “descartáveis”. (DAp 65).

Bendizemos ao Pai pelo dom de seu Filho Jesus Cristo “rosto humano de Deus e rosto divino do homem”. “Na realidade, tão só o mistério do Verbo encarnado explica verdadeiramente o mistério do homem. Cristo, na própria revelação do mistério do Pai e de seu amor, manifesta plenamente o homem ao próprio homem e descobre sua altíssima vocação”. (DAp 107).

Os bispos, como pastores e guias espirituais das comunidades a nós encomendadas, são chamados a “fazer da Igreja uma casa e escola de comunhão”. Como animadores da comunhão, temos a missão de acolher, discernir e animar carismas, ministérios e serviços na Igreja. Como padres e centro da unidade, esforçamo-nos por apresentar ao mundo o rosto de uma Igreja na qual todos se sintam acolhidos como em sua própria casa. Para todo o Povo de Deus, em especial para os presbíteros, procuramos ser padres, amigos e irmãos sempre abertos ao diálogo, especialmente para os presbíteros. (DAp 188)

Os povos latino-americanos e caribenhos esperam muito da vida consagrada, especialmente do testemunho e contribuição das religiosas contemplativas e de vida apostólica que, junto aos demais irmãos religiosos, membros de Institutos Seculares e Sociedades de Vida Apostólica, mostram o rosto materno da Igreja. Seu desejo de escuta, acolhida e serviço, e seu testemunho dos valores alternativos do Reino, mostram que uma nova sociedade latino-americana e caribenha, fundada em Cristo, é possível. (DAp 224).

Também o encontramos de um modo especial nos pobres, aflitos e enfermos (cf. Mt 25,37-40), que exigem nosso compromisso e nos dão testemunho de fé, paciência no sofrimento e constante luta para continuar vivendo. Quantas vezes os pobres e os que sofrem realmente nos evangelizam! No reconhecimento desta presença e proximidade e na defesa dos direitos dos excluídos encontra-se a fidelidade da Igreja a Jesus Cristo147. O encontro com Jesus Cristo através dos pobres é uma dimensão constitutiva de nossa fé em Jesus Cristo. Da contemplação do rosto sofredor de Cristo neles e do encontro com Ele nos aflitos e marginalizados, cuja imensa dignidade Ele mesmo nos revela, surge nossa opção por eles. A mesma união a Jesus Cristo é a que nos faz amigos dos pobres e solidários com seu destino. (DAp 257).

Nossos povos se identificam particularmente com o Cristo sofredor, olham-no, beijam-no ou tocam seus pés machucados, como se dissessem: Este é “o que me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20). Muitos deles golpeados, ignorados despojados, não abaixam os braços. Com sua religiosidade característica se agarram no imenso amor que Deus tem por eles e que lhes recorda permanentemente sua própria dignidade. Também encontram a ternura e o amor de Deus no rosto de Maria. Nela vem refletida a mensagem essencial do Evangelho. Nossa Mãe querida, desde o santuário de Guadalupe, faz sentir a seus filhos menores que eles estão na dobra de seu manto. Agora, desde Aparecida, convida-os a lançar as redes ao mundo, para tirar do anonimato aqueles que estão submersos no esquecimento e aproximá-los da luz da fé. Ela, reunindo os filhos, integra nossos povos ao redor de Jesus Cristo. (DAp 265).

Nossa fé proclama que “Jesus Cristo é o rosto humano de Deus e o rosto divino do homem”(Exortação Apostólica Ecclesia in América, 67). Por isso, “a opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristológica naquele Deus que se fez pobre por nós, para nos enriquecer com sua pobreza”(Bento XVI na Abertura da Conferência de Aparecida, 3). Esta opção nasce de nossa fé em Jesus Cristo, o Deus feito homem, que se fez nosso irmão (cf. Hb 2,11-12). Opção, no entanto, não é exclusiva, nem excludente.(DAp 392).

Se esta opção está implícita na fé cristológica, os cristãos, como discípulos e missionários, são chamados a contemplar nos rostos sofredores de nossos irmãos, o rosto de Cristo que nos chama a servi-lo neles: “Os rostos sofredores dos pobres são rostos sofredores de Cristo”. Eles desafiam o núcleo do trabalho da Igreja, da pastoral e de nossas atitudes cristãs. Tudo o que tenha relação com Cristo, tem relação com os pobres e tudo o que está relacionado com os pobres reivindica a Jesus Cristo: “Quando fizeram a um deste meus irmãos menores, fizeram a mim” (Mt 25,40). João Paulo II destacou que este texto bíblico “ilumina o mistério de Cristo”221. Porque em Cristo, o maior se fez menor, o forte se fez fraco, o rico se fez pobre. (DAp 393.)

A globalização faz emergir em nossos povos, novos rostos pobres. Com especial atenção e em continuidade com a Conferências Gerais anteriores, fixamos nosso olhar nos rostos dos novos excluídos: os migrantes, as vítimas da violência, os deslocados e refugiados, as vítimas do tráfico de pessoas e seqüestros, os desaparecidos, os enfermos de HIV e de enfermidades endêmicas, os toxico-dependentes, idosos, meninos e meninas que são vítimas da prostituição, pornografia e violência ou do trabalho infantil, mulheres maltratadas, vítimas da violência, da exclusão e do tráfico para a exploração sexual, pessoas com capacidades diferentes, grandes grupos de desempregados (as), os excluídos pelo analfabetismo tecnológico, as pessoas que vivem na rua das grandes cidades, os indígenas e afro-americanos, agricultores sem terra e os mineiros. A Igreja, com sua Pastoral Social, deve dar acolhida e acompanhar esta pessoas excluídas nas esferas a que correspondam. (DAp 402).